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Sobre gradientes e suas peculiaridades – parte 6

Uma das maiores limitações na fisioterapia é entender o processo de dor do paciente, tanto a dor em si como a origem da dor.

Iniciar tratamento as “cegas” é algo extremamente delicado, complexo e arriscado para o fisioterapeuta, mesmo com avaliações funcionais, pois ele pode levar muito tempo até conseguir entender ou achar a origem da dor. Dito isso, a complexidade da dor dificulta nosso entendimento, nossa análise e, portanto, nosso tratamento.

Isso porque temos vários casos na clínica em que os pacientes chegam sem exames de imagens que sempre facilitam o entendimento e engrandecem nosso estudo. Muitas vezes inclusive, nós pedimos exames de imagens para os pacientes, mas estes ainda acabam por não fazer no decorrer do tratamento.

Agora, ter a capacidade de enxergar as alterações térmicas em tempo real, é algo lindo por se dizer. Com o correto uso da termografia temos uma grande arma terapêutico na mão para enxergar os gradientes térmicos, algo que nos permite entender minimamente a localização da dor e, muitas vezes, entender a dor em si do paciente.

Como na sequência de termogramas abaixo, onde o gradiente térmico mostra claramente os vetores de força gerados pelo paciente com os anos de compensação de sua má postura por um desequilíbrio muscular.

Ah, o gradiente, nosso maior aliado na busca e no entendimento da dor do paciente.

#fisioterapia #avaliação #dor #termografia

Dor e suas respostas – parte 6

Agora, vamos entender como a dor, tanto aguda como crônica, pode gerar desequilíbrios e sobrecargas musculares que, inerentemente, vão desencadear disfunções posturais e musculares ao longo do tempo.

Quando temos alguma lesão, repetição de biomecânica errada ou dor crônica, nosso corpo desenvolve a capacidade de suportar estes estímulos por longos períodos. Isso é uma solução que, imediatamente, nos ajuda a tentar manter as atividades da vida diária. Porém, em médio e longo prazo, estes estímulos quando não corrigidos, acabam por gerar compensações que vão de simples alterações posturais ao desenvolvimento de intensas disfunções, algumas até irreversíveis.

Como no termograma abaixo de uma paciente de 60 anos com histórico de “dores” leves (condromalácia patelar “SIC”) em joelhos por anos (mais de 10) não tratada adequadamente e, ao caminhar mais rápido (sua rotina diária), apresentou “fortes dores” em tornozelo direito.

Podemos verificar neste termograma várias alterações térmicas em membros inferiores, mais evidente no membro direito, sendo que também foi realizado uma avaliação postural. Foi percebido que as “dores” leves do joelho (por anos) há levaram a uma compensação e disfunção em sua caminha que acabou por gerar uma lesão em tornozelo direito.

Este exemplo nos mostra claramente que devemos sempre colocar em nosso objetivo terapêutico a correção da biomecânica errada, das alterações posturais e suas compensações.

A dor além de uma sinalização também é um marcador de compensações e devemos sempre de tratar o paciente como um todo, pois se não fizermos isso, inerentemente teremos inúmeras compensações e disfunções futuras.

#dor #fisioterapia

Dor e suas respostas – parte 5

Agora, como podemos “mensurar” a dor do paciente?
Existe várias maneiras de mensurarmos a dor, como as escalas de dor (subjetivo), exame físico de palpação (tato) e testes funcionais (disfunção)… Falando bem resumidamente.

Também podemos usar exames de imagem, como ressonância, US, termografia, entre outros. Mas qual deles é o melhor? Todos, pois cada um refere-se a uma forma avaliativa.

A dor, quando questionada, reflete a “sensação” do paciente, dor consciente, referida. A palpação, levanta hipóteses de alterações locais: edema, calor e grau de sensibilidade. Testes físicos e/ou funcionas visam determinar quão limitante ou incapacitante é aquela dor. Os exames de imagem refletem as alterações teciduais.

Todas estas formas de medidas podem se cruzar? Sim. Estas medidas podem ser feitas independentes e avaliadas individualmente? Sim.

Pode-se usar tudo para se ter a melhor forma possível de avaliação e mensuração da dor do paciente, tudo em prol de melhorar seu tratamento. O mais importante é achar a causa da dor.

Um exemplo é o termograma abaixo, de uma inflamação no joelho esquerdo. Cada área de intensidade de radiação refletia exatamente a dor referida do paciente, corroborando os achados de anamnese.

Isso auxilia muito a eficiência do tratamento.

E você colega fisioterapeuta, como mensura a dor consciente do seu paciente?

#dor #fisioterapia

Sobre gradientes e suas peculiaridades – parte 4

Muitas pessoas e pacientes não entendem a diferença entre um fisioterapeuta e outros profissionais da saúde, gerando muita confusão sobre as formas de autonomia de cada profissão.

A fisioterapia é uma ciência da saúde aplicada ao estudo, diagnóstico, prevenção e tratamento de disfunções* cinéticas funcionais, entre outros, decorrentes de alterações de órgãos e sistemas, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas, na atenção básica, na média complexidade e na alta complexidade.

*Disfunção, por definição, é o distúrbio ou alteração das funções que são consideradas “normais”, dentro de um espectro, ao ponto de causarem algum estado de funcionamento abaixo de suas funções, chegando a ficar prejudicado ou anormal. Em suma, é o oposto do funcional.

Dito isto, estudamos e diagnosticamos as diversas disfunções que um indivíduo pode apresentar a fim de trazer, guardada as devidas proporções, de volta a sua funcionalidade.

Por isso usamos vários métodos que nos auxiliam no diagnóstico da disfunção, como no caso do termograma abaixo de um homem, 68 anos, com relato de dores em ombros que gerou incapacidade de amplitude de movimento completa. Foi detectada várias alterações térmicas em seus ombros, complexo escapular e coluna que, ao serem testados foi aventado a hipótese de alguma lesão incapacitante. Foi encaminho para uma ressonância magnética e diagnosticado ruptura do manguito rotador.

O gradiente térmico é capaz de prover informações suficientes para auxiliar na assertividade do diagnóstico, antes mesmo de tocar no paciente sendo uma grande arma do fisioterapeuta para detectar disfunções térmicas. Este é o foco da ciência que estuda as disfunções, pois “olhamos um pouco de tudo e de tudo um pouco” (autor desconhecido).

#fisioterapia #avaliação #dor #termografia

Dor e suas respostas – parte 4

Colocamos agora a avaliação e seu uso na clínica, porque temos que usar todas as informações pertinentes para potencializarmos os resultados do tratamento.

Depois de entendermos como é complexa a percepção de dor pelo cérebro, podemos entender por que a dor é subjetiva. Claro, não descartamos nunca que dor é dor e esta reflete algum tipo de distúrbio.

Dito isso, quando o paciente tem alguma forma de referência de dor (queimação, pontada, latente, etc) devemos nos atentar para o tipo de referência, pois ele pode dizer muito sobre a disfunção.

Vamos resumir os tipos genéricos de dor que mais nos deparamos na clínica:

• Dor nociceptiva: normalmente, resultado de lesão do tecido e são resultado de reações inflamatórias;
Somática: Bem localizada, contínua, aumenta ao se pressionar a área;
Visceral: Difusa, pobremente localizada, referida a outra região corporal;

• Dor neuropática: é aquela decorrente de lesões anatômicas do sistema nervoso, tendo como característica principal a dor em queimação ou “ferroada” (superficial, em queimação ou pulsátil, hiperalgesia, paroxismos em pontadas ou disestesias);

• Dor funcional: está associada ao funcionamento anormal de um sistema nervoso anatomicamente íntegro;
Só de ouvirmos o relato consciente de dor do paciente já temos uma enorme pista da origem do problema, pois nele você pode achar a causa da disfunção.

Parafraseando Sherlock Holmes: “Os pequenos detalhes são sempre os mais importantes”.

#dor #fisioterapia

Estado inflamatório e regeneração – parte 3

O processo inflamatório pode ser descrito como uma síndrome, pois apresenta alterações imunológicas, bioquímicas e fisiológicas, produzindo respostas locais como sistêmicas.

Ele representa uma resposta do organismo a um agente agressor, podendo ser esse: micro-organismos, parasitas, agentes químicos ou físicos, reações imunológicas, ou mesmo células danificadas, geralmente necróticas. Cada agente agressor vai gerar uma resposta correspondente e, consequentemente, o grau de inflamação conhecidos como flogísticos.

Dito isso, cada fase do processo inflamação descreve como o organismo está reagindo e quando/como irá cessar com os mediadores que foram secretados para resolução do mesmo. Esse processo pode ser dividido em agudo ou crônico. Vamos entrar no mérito do agudo primeiro, pois este é o mais “rápido” de se solucionar.

O agudo, em geral, é resultado de um trauma e o processo inflamatório tem um começo, meio e fim (se bem resolvido). Já o crônico não, ele pode perdurar para sempre, tudo depende como esta o estímulo lesivo X resolução da inflamação.

Como na comparação destes dois termogramas abaixo, onde um apresenta alterações agudas (traumáticas) e outro crônicas (síndrome).

Como solucionar? Tudo é dependente de cada tipo de inflamação e o tempo de resolução do mesmo. Vamos entrar no mérito de cada um nos próximos posts.

#fisioterapia #inflamação #dor #regeneração

Caso 2 20-06-2021

Dor e suas respostas – parte 3

Agora, caro colega fisioterapeuta, vamos entender como “mensurar ou definir” uma dor X disfunção, pois fazer isso é extremamente complexo.

Atualmente, entendemos a dor como um fenômeno ‘biopsicossocial’ que é resultante de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos, comportamentais, sociais e culturais e não um fator binário como a lesão. Dito isso, a CIF (Classificação Internacional da Funcionalidade, incapacidade e saúde) foi criada para entender a “dor” (vamos simplificar, mas é muito mais que isso) como ela é, um fator biopsicossocial.

Portanto, quando mensuramos a “dor”, estamos apenas focando em um fator de uma complexa rede de informações. Por isso, devemos usar o relato consciente da dor e a patologia com parcimônia, pois elas são binárias.

Somado a isso, ainda temos todos o intrincado de métodos avaliativos como dito no post anterior, temos todos os resultados avaliativos que devem ser integrados e analisados com os resultados da CIF. Somente assim poderemos atestar uma disfunção e seus efeitos no indivíduo.

Vejam como é complexo determinar uma disfunção e seus efeitos no indivíduo. Claro que podemos nos ater apenas na disfunção para conduzirmos a reabilitação da melhor forma, mas devemos sempre ter em mente o que que a disfunção tem como consequência.

Minha modesta opinião: todo fisioterapeuta deveria fazer um curso de CIF. E conselho: façam no seu conselho de classe.

Reabilitar não é apenas “tirar” a dor, é devolver a função e independência do paciente, guardada as devidas proporções.

#dor #fisioterapia

Sobre gradientes e suas peculiaridades – parte 1

Fisioterapeuta, você sabia que a termografia só pode ser usada para detectar alterações térmicas e não como método de diagnóstico?

Sim. O Método de Termografia Infravermelha detecta a localização e a intensidade de uma alteração térmica, ou seja, nos ajuda a localizar e entender, com maior precisão, se a intensidade de uma alteração térmica tem significado clínico e/ou funcional.

Dito isso, nos sistemas orgânicos, somente com gradientes significativos, segundo critérios bem estabelecidos, podemos detectar e atestar as alterações térmicas e definir se estão ou não associadas a disfunções.

Como neste caso de uma alteração térmica localizada na face anterior do ombro que é condizente com o tendão da cabeça curta do bíceps. O que poderia ser? Isso somente poderá ser respondido com mais avaliações, pois o uso correto do MTI determina que, quando se localiza uma alteração térmica com uma intensidade que represente “aviso”, outros exames de imagem devem ser acrescentados.

Este é o uso correto do MTI através de uma prática numa determinada especialidade = técnica. Toda e qualquer técnica tem que ser constituída de uma lógica sistematizada, uma reprodutibilidade e escalabilidade configurando assim: CIÊNCIA.

Então, caro colega, se sua técnica não for sistematizada, reprodutível e escalável, não é uma TÉCNICA CIENTÍFICA e sim uma experiência clínica.

Parafraseando Sherlock Homes: “Você vê, mas não observa.”

#fisioterapia #termografia

Dor e suas respostas – parte 1

Colega fisioterapeuta, você sabe como podemos usar os sistemas analgésicos durante a reabilitação?

Primeiramente vamos entender a intensidade com que cada pessoa sente e reage a situações de dores semelhantes, pois temos uma facilidade diferente para cada indivíduos na ativação das vias analgésicas naturais.

A via analgésica principal tem ações de modulação para a percepção da dor: a) opioides naturais (áreas cinzentas periaquedutais e periventriculares); b) liberação de serotonina (núcleos magno da rafe e reticular gigantocelular) e c) liberação de encefalinas e endorfinas na sinapse local (núcleos de interneurônios na medula espinhal dorsal).

Sistema este que permite uma regulação em feedback do nível da dor, pois uma excitação excessiva desta induz um aumento dos sinais analgésicos a nível talâmico reduzindo a intensidade percebida da dor (relato de dor consciente). Dito isso, uma mesma lesão tecidual pode causar muito mais dor se for de causa desconhecida ou considerada pelo indivíduo como “perigosa”, do que se for de causa conhecida ou tida como pouco “perigosa”.

Além desta via específica para determinados segmentos espinhais, a hipófise produz também beta-endorfinas, que são liberadas para o sangue e para todo o cérebro, e podem ter importância na diminuição das sensações dolorosas em indivíduos com síndromes sistêmicas (tolerância crônica).

O sistema límbico, que faz o controle emocional, também ajuda a estimular ou inibir as vias analgésicas naturais, sendo um auxiliar em alguns casos. (wikipedia)

Óbvio que essa é uma simplificação de um sistema riquíssimo de informações, mas nos dá base para entendermos a dor consciente do paciente para guiarmos a nossa reabilitação. A carga terapêutica tem que estar intimamente associada a queda da percepção consciente da dor e, com a progressão terapêutica, com a ausência total da dor.

Sem esse entendimento, podemos exceder a carga e até causar dano tecidual. Por isso, como fisioterapeutas, devemos sempre entender e ouvir a “dor do paciente”.

#dor #fisioterapia

Estado inflamatório e regeneração – parte 11

Finalmente, vamos entrar no aspecto clínico da inflação.

O estado inflamatório é o grande alvo do fisioterapeuta, quase uma fórmula de Pareto, sendo quase 80% da sua clínica.

Entender e diagnosticar a causa é umas etapas mais importantes para um resultado satisfatório, pois lidamos principalmente com o relato consciente da dor do paciente. Depois do relato da dor é que podemos entrar com a avaliação física, quando possível, e por fim, quando conseguimos, os exames de imagem.

Isso torna a clínica quase cega, tatiando no escuro inúmeras possibilidades. A forma mais eficaz, é cruzar informações qualitativas (relato de dor e exame físico) e quantitativas (exames) e, mesmo assim, pode ser difícil explicar uma inflamação.

Como neste termograma onde vemos claramente a irradiação nervosa à partir da coluna lombar.

Só isso explicaria a dor? Absolutamente não, ela mostra a possível origem e esta que deve ser investigada.

Por isso, colega fisioterapeuta, use de todo o seu conhecimento e analise de forma qualitativa e quantitativa com raciocínio lógico e consistente. Aí sim, você chegará na causa.

#fisioterapia #inflamação #dor #termografia